Tenuta Gatti, uma vinicola de sonho vivido na Sicília – Italia

“Um homem pode se afobar

E pegar o caminho errado

Homem que é homem volta atrás

Mas não se arrepende de nada

Sabe que a vida é pra lutar

Contra um dragão invisível

Que mata os sonhos mais banais

Que acha que é tudo impossível”…

(Cazuza – anos 80)

 

Escolhi esse trecho da música do Cazuza para abrir essa narrativa pelo título e pela luta.

Quando cheguei a Tenuta Gatti, o quê mais me pertubou, foi o amor.  Lá, Tudo é Amor.

Nas coordenadas latitude 38.074058 / longitude: 14.993741, em altitudes entre 300 a 500 metros, em Librizzi na Província de Messina, Sicília, está Tenuta Gatti, uma propriedade de 217 hectares nas encostas de Nebrodi, de frente às Ilhas Eólicas e atrás o vulcão Etna. Uma quinta com variedades de uvas, pomares de cítricos, nozes, avelãs, olivas e mata nativa.

Tenuta.13
Fotografia : Emilia Carvalho
Tenuta.02
Fotografia: Emilia Carvalho

Bom, mas fui até lá procurar vinhos, como uma winehunter, aventurei-me no convite de Nicolás Gatti, um italiano criado na Argentina que retorna a Itália para continuar e melhorar os negócios herdados do pai, dentre eles o Palazzo Gatti, datado de 1825, para viver com sua família.

“A propriedade é muito antiga, está em nossa família a 5 gerações, existiam videiras, produzíamos vinhos mas decidi investir em novas cultivares como a Nero d’Avola, Nocera, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Inzolia, Sauvignon Blanc, Grillo e Catarratto que ocupam vinte hectares, numa região inédita no mundo dos vinhos. Comecei com a plantação em 2003. Minhas vinhas produzem apenas a quantidade de 750 gramas de uvas por planta. Enfrentamos muitas adversidades como os ventos, temos o Siroco que chega de sudeste, três ou quatro vezes ao ano e depedendo da intesindade provoca muitos danos porém necessitamos dele nos meses de junho e julho por que é seco e traz o calor do deserto africano, já o Maestrale não é bem-vindo nesse periodo por ser muito úmido” conta Nicolás Gatti

Tenuta.05
Fotografia Emilia Carvalho
Tenuta.04
Fotografia: Emilia Carvalho

 

Tenuta.a
Fotografia Emilia Carvalho

Para tudo!!!!!! Como assim? Videiras de apenas 05 anos produzindo uvas vigorosas e encorpadas capazes de se produzir premiadíssimos vinhos como o Franco Sicilia 2008 no Concours Mondial Bruxelles em 2013, com medalha de prata? Descobri que é lenda, marketing que favorece produtores antigos. A Tenuta Gatti é uma empresa de vinho a granel de alta qualidade, comparada a nomes como  Mimmo Paone e  Cambria, sendo sinônimo de vinhos de excelente qualidade nessa parte da Sicilia.

Atualmente, a Tenuta Gatti dispõe de seis vinhos em linha de produção, são quatro tintos, um branco, um rosé, além desses produz um ‘champagne’ não safrado.

Provei todos,  numa das mais emocionantes degustações que já participei. Como disse anteriormente, Tudo é Amor em Tenuta Gatti, os nomes dados a seus vinhos são escolhidos com o coração, tem o Franco, nome de seu filho de 17 anos, tem Martiniano, de seu filho de 15 anos  e tem muito mais amor por vir.

Tenuta.15
Fotografia Emilia Carvalho
Tenuta.22
Fotografia Emilia Carvalho

Abrimos a degustação com o ‘champagne’, como Nicolas gosta de chamar o Espumante  Désir ( desejo em frânces), Nature 2009, método tradicional, 100% chardonnay, 52 meses em garrafa com leveduras. Untuoso, aromas deliciosos de pão e com excelente acidez. Apaixonante!

O Catalina, DOP Mamertino bianco, foi o segundo, algo como um Sauvignon Blanc e Gewürztraminer juntas, aromas doces de flores com o herbáceo de grama molhada, mineral em boca, acidez viva, perfeita para a gastronomia da Sicília, repleta de peixes e frutos do mar.  Esse vinho recebeu o  Prêmio Macini, de melhor branco Italiano, escolhido dentre 12.500 vinhos italianos de cepas autóctones como é o caso Grillo e  Insolia. A qualidade desse vinho trouxe outro prêmio a Tenuta Gatti, a de melhor vinícola emergente da Sicília em 2012.

O Nocera rosato IGP 2015– um vinho saboroso, cor salmão claro e muito morango e cereja, tanto nariz como boca, foi o terceiro vinho degustado.

Por essa hora, a mesa foi invadida por pequenas porções de delicias feitas no Palazzo Gatti, tudo produzido com ingredientes plantados e colhidos entre eles.

Tenuta.16
Fotografia Emilia Carvalho
Tenuta.17
Fotografia Emilia Carvalho
Tenuta.18
Fotografia Emilia Carvalho
TEnuta.25s
Fotografia Sônia Baiocchi
Tenuta.26s
Fotografia Sônia Baiocchi

 

O primeiro tinto apresentado foi DOC Mamertino Rosso Cvrpane, produzido a partir de uvas cultivadas organicamente, extremamente agradável, rubi atraente, o nariz exala aromas finos de violeta, cereja, framboesa, e marcou nuances de especiarias doces. Confirma-se na boca com estrutura fresca, mas suave e aconchegante. Medalha de Bronze no Wine&Spirit Competion de 2012. Considerei um vinho realmente fácil de beber.

O Segundo foi o Martiniano 2011 – IGP, 70 % Nero d’avila e 30 % Cabernet Sauvignon, 12 meses em carvalho, nos deparamos com taninos potentes e excelente acidez, permitindo longevidade. Inicialmente senti pungência, especiarias, ameixas secas e outras frutas negras maduras. Quando provei o Martiniano achei que não podia ter nada melhor por vir, engano meu, todos os demais foram pura superação.

Entre o segundo e o terceiro tinto, surpresa!  Due paste veramente italiani fatto a mano! Uma com pesto de nozes e a outra com cogumelos colhidos no campo… Sentiu o sabor???

Tenuta.21
Fotografia Emilia Carvalho – Pasta pesto de nozes

 

Fotografia Emilia Carvalho - Pasta com cogumelos selvagens
Fotografia Emilia Carvalho – Pasta com cogumelos selvagens

 

fotografia Emilia Carvalho - As estrelas sicilianas
fotografia Emilia Carvalho – As estrelas sicilianas

Nocera Sicé 2010, premiado no Concours Mondial Bruxelles em 2013 com medalha de ouro. Uma cultivar 100% autóctone dos solos de Messina, data de 289 AC, sendo a mesma que produzia o vinho preferido de Júlio César, o Imperador Romano. O nome Sicè aludi  ao segundo mantado de Júlio César. A nocera é uma uva com  taninos muito adstringentes, para extrair a pureza dessa cultivar, contou com a ajuda de enólogo Salvatore Martinico. No nariz almiscar e terra molhada, ameixas,  na boca, poderoso tânico, mas depois dilui a força, torna-se terra, quase salgado, graças a ‘mineralidade’ e ótima acidez. Particularmente, me senti uma rainha, viajei no tempo ao saboreá-lo.

Por último, tivemos uma degustação vertical (que significa provar um mesmo vinho de várias safras diferentes) do Franco 2008 – premiado no Concours Mondial Bruxelles em 2013 com medalha de prata; Franco 2009Franco 2010 e Franco 2011. O glamour de uma vertical está associado ao calibre do vinho. Ninguém faz uma vertical séria com vinhos comuns, pois os mesmos não apresentam condições estruturais para um bom envelhecimento. Neste sentido, a responsabilidade da ordem dos vinhos aumenta de acordo com a importância do vinho degustado. A ideia é sempre não ofuscar o vinho seguinte da sequência, respeitando as características intrínsecas às safras. Todos Franco, todos dissemelhantes, todos com muita personalidade.

Começamos pelo mais antigo e premiado Franco 2008, IGP, Blend Cabernet Sauvignon e Merlot, doze meses de carvalho. Cor: rubi profundo, aromas de frutas negras, café tostado, chocolate e um ‘xixi de gato’, aroma não comum para essas castas, perguntei ao Nicolás o porquê, ele contou que foi ano muito quente, que houve uma maduração intensa das uvas.  Em boca, forte, taninos potentes, madeira discreta e muita persistência. Perfeito !!

2)Franco 2009 – no nariz, frutas vermelhas e notas herbáceas, na boca percebe-se uma acidez alta e taninos vivos, bem equilibrado. Dos quatro, distanciou-se da família, às cegas, é difícil dizer que pertence a família Franco. Ele é misterioso.

3)Franco 2010 – no nariz, frutas vermelhas, pimentão discreto, especiarias como alcaçuz,, excelente harmonia taninos x acidez,  muito elegante!

4)Franco 2011 – Muita fruta vermelha fresca e uma fruta nativa da região, algo como goiaba e carambola juntas, a aparência é de goiaba e o sabor da carambola, porém Nicolás não sabia o nome da fruta e a batizei de ‘Goiabola’. Pimenta do reino, mais alcaçuz. Em boca, taninos macios, sem serem doces. Easy-going!

Foram mais de sete  horas sentados a mesa, conversamos calmamente sobre cada um desses incríveis vinhos produzidos por Nicolás Gatti e bebendo, claro.

Durante uma recente Master Class com o Sommelier internacional do Eataly, Alessando Moretti aqui no Brasil, ouvi dele a seguinte afirmação : “Os vinhos tintos da Sicília serão a maior revelação da viticultura e enologia mundial nos próximos 10 anos”, confirmei seu prognóstico ao visitar Nicolás Gatti e sua Tenuta.

Se a Sicília está  à procura de um embaixador da sua viticultura e enologia, Nicolas Gatti, o elegante senhor das vinhas é o indicado.

Tenuta.14
Fotografia Sônia Baiocchi
Tenuta.27s
Fotografia Sônia Baiocchi
fotografia Sônia Baiocchi
fotografia Sônia Baiocchi
Fotografia Emilia Carvalho
Fotografia Emilia Carvalho

Tenuta.07

Tenuta.08

SERVIÇO:

Endereço: Contrada Cuprani, 98064 Librizzi (Me), ITALIA

E-mail:  info@tenutagatti.com

Fax:       +39 0941.368173

Mobile Phone Number:               +39 329.1834237

http://www.tenutagatti.com

Information:      P.Iva 02948750837