O poético cenário da Quinta da Torre e seus ótimos vinhos verdes

…’Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

Nunca me vi nem achei.

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem vê é só o que vê,

Quem sente não é quem é…’ Fernando Pessoa

Procurei Fernando Pessoa para iniciar esse texto, olha só que estrofe bacana, poderia ser eu ( com certeza!), você ou os ótimos vinhos verdes da Quinta da Torre.

Conhece o vinho verde? 

Desmistificando o vinho verde, são vinhos produzidos numa DOC desde 1908, no noroeste de Portugal, zona conhecida com Entre-Douro e Minho, área chuvosa com muita exposição solar, podem ser vinificados brancos, roses e tintos a partir de castas autóctones da região. Os brancos são produzidos num método chamado ‘bica aberta’ e os tintos pisa pé em lagar. A maioria apresenta uma certa gaseificação, algo cerca de 1 bar (os espumantes têm 6,5 bar e os frisantes 3 bar), resultado de uma segunda fermentação em garrafa através de algum açúcar residual ou por acréscimo de Co2 permitido em lei. 

Em 1995, José Manuel Mendes, proprietário da Quinta da Torre comprou uma área 25ha na sub-região do Amarante e a transformou num cenário poético de videiras, cercadas de limoeiros, figueiras, mundo animal, edificações e antiguidades. 

Convidados por André Amaral, responsável por algumas áreas da vinícola dentre elas apresentar ao público em geral a linha de vinhos verdes da Quinta da Torre chamada S. Caetano, fomos até Marco de Canaveses e provamos todos!

A linha é composta de sete vinhos, são cinco brancos, um rose e um tinto. O primeiro deles foi o S. Caetano Alvarinho, intenso e frutado, apenas 3.500 garrafas produzidas anualmente, colheita manual. O segundo, o Loureiro, particularmente gosto muito desta casta e o S. Caetano apresentou-se majestoso, cor palha dourado, elegante e com notas tropicais, num serviço correto casou perfeitamente com um prato de bacalhau a lagareiro. 

O S. Caetano Arinto, o terceiro, traz consigo duas medalhas de melhor vinho verde anos 2015 e 2017, indicado para consumo jovem, até três anos após engarrafamento, possui bom volume de boca, aromas como goiaba, doce queimado, harmoniza bem com peixe, sushis e carnes brancas. O Axal foi o quarto, não conhecia essa casta, em nariz remeteu a nossa uva Lorena com flores brancas, notas tropicais como abacaxi, acidez equilibrada com final longo. O Quinto, S.Caetano Branco é um blend dos outros. 

A casta espadeiro, autóctone da Sub-região Souza onde se encontra a Quinta da Torre, dá cor e sabor a este vinho, a vinificação é feita com breve contato com a casca, evidenciando uma linda cor salmão, a polpa é sem cor. Acidez viva, aromas de frutas vermelha fresca. Muito bom!

O ultimo foi o tinto, casta vinhão, um E.S.P.E.T.Á.C.U.L.O ! a grande surpresa da prova, uma cor belíssima, rubi médio vibrante, taninos elegantes, bom corpo, boa persistência, delicioso vinho verde tinto!

Os vinhos verdes Quinta da Torre pedem um serviço entre 8º a 10 graus, indicados para todos os dias de calor, sozinhos ou para  harmonizar com uma gastronomia leve, comida praiana e até massas de molhos leves. No Brasil, já é possível encontrar em Santa Catarina. 

Finalizada a degustação fomos conhecer a propriedade que tem muitas outras atrações como os dois mil pés de limão siciliano e um mini zoo aberto aos visitantes. Imperdível! 

Somos um casal de winehunters, ou melhor, ‘caçamos’ o melhor da vida e mostramos aqui no nosso blog em fotos, num português doce e em outras palavras bonitas de outras línguas. Enjoy!

SERVIÇO

A KOMBI DO VINHO – BLOG sobre vinhos, gastronomia e life style – +55 61 99829.8087

QUINTA DA TORRE – André Amaral – +351 919 391 781 

DISTRIBUIDOR BRASIL – Iohan Geier – +55 47 99741.2707 

FOTOGRAFIA – AUGUSTO ALMEIDA – +55 62 98218.6367